A minha Luísa é uma "Atleta" do Clube Fluvial Portuense desde Abril de 2016, tinha 1 ano e três meses.
Foi uma das minhas vontades, eu sempre gostei de nadar, embora nunca tenha conseguido ser um bom nadador sempre ficou lá no meu conjunto de imagens bem passadas da minha pré-juventude distante, a água sempre me fez bem. As imagens que tenho são imagens de três rapazolas eu e os meus primos e o meu irmão por vezes, no Algarve na praia de Olhos de Água a brincarmos na água. Também me recordo da passagem pela piscina de São Mamede Infesta (muito breve, era muito longe de casa e tinha de apanhar boleia para lá chegar) e pela piscina de Gueifães (sempre gostei muito de lá nadar). E finalmente a piscina que quase me fez modificar de clube a piscina do F.C. Porto. Foi a piscina para a qual eu fui aquando a minha trombose, fui como não poderia deixar de ser para o lado dos deficientes e aprendi a nadar outra vez. Aprendi a olhar para as pessoas de uma maneira completamente diferente. Uma das minhas companheiras, uma vizinha minha, não conseguia andar mas no entanto ao entrar na piscina parecia um peixe, a forma elegante com que ela deslizava as suas pernas pela água fora era uma coisa maravilhosa de se ver.
Eu fiz promessas à minha Amora, que eu ia me levantar cedo, que eu ia com a miúda à piscina enquanto que ela dormia a manhã toda. Pois sim... Acompanhei a Luísa algumas vezes mas depois e devido a uns problemas físicos e psicológicos (são aqueles que me doem mais ;-) ) passei lhe o testemunho. Amora tem, como não poderia deixar de ser, um jeito nato para a coisa, às vezes queixa-se um pouco porque é muito cedo, ou é muito aborrecido, mas lá vai ela.
A Atleta há duas semanas teve uma evolução espantosa, já devia estar habituada a ser empurrada por mim e pela sua mãe pela água fora até ela chegar perto do seu objetivo. Pois bem desta vez não foi preciso empurrão, a sua mãe pousou-a a um metro de meio da borda da piscina e esta começou a nadar como nunca jamais tinha nadado.
Eu estou de repouso, sem fazer nenhum. Então aproveito para ir dar umas voltas com a minha mãe e a Luísa. Estamos nós a começar a andar e a minha mãe quer meter a Luísa no carrinho, ela não está a querer, e entro eu e digo algo muito semelhante a "- Deixa estar a Luísa ela é muito capaz de andar sozinha!!!". Ó palavras ditas, a Luísa levou aquilo como um desafio e começou a se esforçar para andar o máximo que conseguiria. O local onde andávamos tem os metros percorridos escritos no chão. 1 Km!!! 1Km foi quanto a minha Luísa andou ao meu lado e ao lado da sua avó antes de dizer que lhe estavam a doer as pernas e se recolher ao carrinho.
Se isto não bastasse a minha Atleta e sua prima Maria no outro dia foram a uns baloiços coloridos que existem perto da Maia. Vocês sabem como são as argolas nas quais os atletas se penduram e se movem para fazer exercícios? O meu pai sabe, pois segundo a lenda familiar o meu pai já fez o Cristo em argolas quando era novo, bastante mais novo do que agora. Pois a Luísa pendura-se numas argolas que estavam mais baixinhas e começa a dar lanço com as pernas, indo para trás e para a frente perdendo o chão e ganhando o ar por debaixo dos pés. E isto sim foi emocionante de assistir.