sábado, 27 de maio de 2017

Um dia como outro qualquer


Foi num dia como outro qualquer...
Passou sem grande barulho, sem grandes ondas, quase como uma barcaça soprada, deslizando pelo Douro abaixo...
Um dia sem magia... Um dia sem céu azul... Sem chuva... Sem frio...
Foi um dia de trabalho, no famoso mês de Março.

Foi um dia bastante divertido para mim, aliás foi uma semana bastante divertida.

Acordei bastante estremunhado, enrolado numa manta verde que me assombra durante a noite. Do sofá ouvia-se a Cristina e a Luísa, as duas meninas, em imensa brincadeira enquanto a última se veste. Quando de repente por entre risos e palavras ouço a voz da Cristina  " -  Ò Vasco a Luísa já sabe contar até três em inglês!!! "

Alto!!! Pensei eu, tenho uma filha que é um génio, ora se ninguém a ensinou, como é que ela aprendeu? Claro que quando pensei a minha filha é um génio, lembrei-me do Génio do Aladino e do Einstein, demorei um pouco mas acertei na genialidade requerida para tal situação!

Vai-se a ver, as crianças hoje em dia têm muitos professores, até os desalmados telemóveis e tablets que são quase como uma presença inamovível de uma casa. E com esta simples, mas estranha, explicação lá se foi o Einstein à vida !!!

Durante a semana...

Houve uma noite, para aí quarta feira, em que nós os dois roncávamos a bandeiras despregadas e a nossa doente que se encontrava no final de uma conjuntivite e ainda por cima estava gripadinha, coitadinha... Começa a chorar e veio para o nosso meio. São 5 horas da manhã!!! E começamos a sentir que a nossa pequena diabinha se encontra em modo de liga de futebol!!! 

"Luísa! Pára quieta ou vais para a tua cama!!!". Disse Cristina com a sua voz de general!

Silêncio sepulcral...

5:01

5:02

5:03

Voz-off "- E bola ao meio campo, o Manchester veio cá para ganhar!!!"

Cristina "- Luísa, vou contar até três!!"

Luísa "- One, two, three..."

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Filha da liberdade



Foi no 25 de Abril que a concebemos, estava um dia quente e há três anos atrás, muito felizes, sem nada para fazer, fizemo-la.

Pelo menos ficou assim marcado na nossa cabeça, principalmente na cabeça da mãe dela, dizem que elas são capazes de saber essas coisas. A minha mãe, Lucília de seu nome, também diz que no dia seguinte à minha conceção foi ter com a Minita, medica de sua profissão, amiga do coração, dizer-lhe que na noite anterior me tinha concebido. Falta de fé, talvez, demasiadamente formatada pelos cánones médicos, provavelmente! Minita disse-lhe logo "-Oh!!! Tu 'tas doida mulher é impossível alguém saber essas coisas com certeza.".

Nove meses depois, mais semana menos semana, estávamos os dois cá fora!

Por isso tenho de agradecer desde já a todos os capitães de abril, por se terem lembrado de acabar com uma ditadura, que caiu de podre e terem eleito o dia 25 de Abril para essa data. Se não fosse por esses senhores eu provavelmente não estaria aqui a escrever !

E é essa liberdade que eu quero para a minha filha, visto que eu sou de esquerda e a Cristina de direita, visto que não a batizei pois um ato que alguns tomam como sagrado tem de vir de dentro, quero que a minha filha saiba todos os fatos mais próximo da realidade possível e que pense sobre esta e que chegue as suas próprias conclusões.

Mas ao fazer três anos do fantástico dia, vindo eu de Madrid, de visitar dois dos meus amigos mais queridos amigos. O Rolando e a Suzy, Peruanos de nacionalidade, que ouço a minha Cristina a olhar para trás no carro, precisamente para o lugar da Luísa "-Oh, não me acredito!". Tinha a Luísa desenhado um boneco com cabelo, tronco, braços, pernas, pés, olhos e boca.

Sorri...