domingo, 25 de junho de 2023

Terceiro dia para o São João


 

Na geometria euclidiana, uma reta é um conjunto infinito de pontos, linearmente ordenados, sem primeiro nem último.

É assim que para mim é o tempo, nós humanos é que delimitamos o tempo com o nascimento de alguém para nos podermos organizar.

Por isso no terceiro dia a contar para o nosso querido São João, andavam as minhas duas Tripeiritas a ajudar os avós a enfeitar o lado de fora da casa.

A meio da tarde, a Rita começou a apertar o vestido, a andar diferente como se esta estivesse desconfortável. Graças à perceção visual apuradíssima da sua avó, disse:

Avó "- Rita anda ao quarto de banho!"

Rita "- Não quero, o chi-chi não está para sair!"

Nada muito surpreendente na Rita, eu já aprendi, passado a primeira vez que se pede e ela não quer vir, pega-se na criança como se estivesse a pegar num saco de batatas, sem lhe dar muito tempo para chorar e coloca-se a mesma no topo do redutor ou em cima de um pote e magia.

Pois foi mais ou menos isso que se passou, a minha mãe pegou na Tripeira pela mão, ela começou a fazer de conta que chorava! Deve ter gritado, esperneado, feito uma grande birra, coisas que nasceram do seu intimo ou foram transmitidas pelo ar. 

Concluindo, a Rita foi parar em cima do Pote.

Avó "- As lágrimas Rita, estavas agora mesmo a chorar?"

A Rita passou a mão pelo olhos, assim como quando se está a afagar umas tantas lágrimas que nos caem de quando em vez.

Rita "- Sumiram-se!!!"

A minha Tripeira fez chi-chi e cocó, muito pequenito, às bolinhas! Ao admirar aquilo, o produto do seu labor:

Rita "- Uí!!! São tão pequeninos! Já sei, são cocós bebés" 

Não ficaram por ali os episódios da Rita no terceiro dia para o São João. 

A Rita foi buscar uma mini-cadeira. No pátio estavam colocados uma mesa de plástico e várias outras cadeiras à sua volta. Esta ganapa, pegou na mini-cadeira colocou-a em cima da mesa, alçou-se a si para cima de uma outra cadeira, logo a seguir para cima da mesa e finalmente sentou-se no mini-trono a desfrutar da vista superior proporcionado pela altura em que se encontrava.

Isto ocorreu sem supervisão de um adulto, escusado será dizer que quando os meus pais repararam no local de visão da Rita passaram-lhe um raspanete!

Um dia, era ainda mais pequenita do que é neste momento, ela decidiu no seu intimo, que deitar-se ao chão espernear com os braços e as pernas e assim fazer uma birra iria resultar. Como os pais não lhe ligaram pevide, recriou o espetáculo mais quatro ou cinco vezes e como não obteve resultados cessou a representação!


 


domingo, 11 de junho de 2023

Minha Galega


 

Às vezes retira o polegar de dentro da sua boca, assim como quem tira um chupa-chupa, algo que lhe proporcione uma sensação de completude, uma sensação de satisfação, e começa a dizer:

Rita "- Bá ui to mu nedia o pá tá!!!"

Eu fico a olhar para a sua cara de ansiedade com a minha cara número 7. E perguntam-me, porque cara número 7? Porque "- Xiri biru-a tijo eh!" Estão a perceber?

É claro que ela quer estabelecer uma certa comunicação, eu com calma pergunto-lhe:

Pai: "- Desculpa Rita, será que podes repetir?"

Rita "- Bá ui to mu nedia o pá tá, ti!!!"

Desta vez deve ser comigo, embora não consiga deslindar qual o significado, tento perceber o que ela está a pensar, pois eu tenho a certeza absoluta que ela está a ouvir-se de uma forma muito bela e nítida.

Pai: "- Outra vez Rita?"

Aí ela muda de cara, como se tivesse falado para uma parede, nota-se que a ansiedade dá o seu ar de frustração e lá vai o chupa-chupa (desculpem polegar!) para dentro da boca! E a partir daí consigo ler a indiferença nas suas maçãs do rosto.

Mas isto não é somente da Rita, por exemplo eu era um troca-tintas quando me queria exprimir. Aliás, vim a ter um nome, com o qual se deleitavam para designar a minha forma de falar, o Vasconço.

Mas realmente existe esse verbo e até tem um significado real, https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/vasconcear.

De volta à Rita! Começou a exprimir-se de forma mais compreensiva, de vez em quando ouve-se na mesma uma ou outra palavra incompreensível mas sempre se consegue auferir o seu significado.

No outro dia estava a chover muito e nós 4 íamos de carro, virou-se para a audiência e perguntou:

Rita "- Porque o céu está a chorar?"

Foi uma pergunta bem bonita.

Pai "- Porque o céu não consegue ver o Sol!!"

Hoje depois do almoço, ainda de babete a Rita começa a brincar com uma banana e um alperce, cada um na sua mão. Então ela virava-se para cada um à vez e dizia:

Rita "- Vai a fugir, vai fugir...!" E afasta a peça.

Rita "- Só que não!" E comia um pedaço.

;-)

 


 



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