quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Pé ante pé

No dia seguinte à minha última publicação a Luísa chegou ao estágio evolutivo que se pode considerar que ela já anda.

Isto não foi fácil, passou por várias fases. Começou há muito tempo atrás! Realmente... A Luísa tem apenas um ano de idade. Tivemos uma frequência de alegrias, de conquistas, de desenvolvimentos, que até parece que já se passou muito mais tempo, mas sem passar... Compreendem?

Há três meses atrás, mais ou menos, a Luísa colocou-se a dar uns passitos... Muito inseguros, segura sempre pelas mãos dos meus pais. O meu pai, Dido para os amigos próximos, Cândido nome de batismo, disse "- Mais umas duas semanitas e a Luísa já está a andar." A Luísa, é que não foi cá com predições, demorou o seu tempo e com segurança, passadas umas semanitas já conseguia andar só agarrada a uma mão.     

Passou-se tempo... E há coisa de quatro semanas, a minha mãe disse que se chamasse a Luísa desde 50 centímetros de distância ela iria ter com ela!!! Eu, claramente que tentei a partir de 50 cm e a Luísa vinha ter comigo. Mas claro, tinha de ser abusador e pedi desde 1 metro. Começou a andar e passado 51 cm, a perna direita não se moveu tão de pressa quanto expectável, a perna esquerda já estava no ar e.. Trambolhão, apoiado pelos braços do pai. 

A partir daí foi um piscar de olhos! Começou a aprender a cair, inclinava-se para a frente, cu para trás e pronto... Já estava em cima das fraldas. De vez em quando, tropeçava e a cabeça dela tomava uma aceleração, fora do vulgar, na direção de algum objeto inanimado que lhe opusesse. A sua face enchia-se de lágrimas, o tom da sua pele tornava-se crescentemente avermelhado e ela chorava, nem que fosse por parcos minutos como forma de afirmar a sua presença no mundo e talvez como forte protesto perante a firmeza de tal objeto.

Até que sábado a Cristina disse-me que tinha ouvido da minha mãe, que a Luísa já andava. Pensei de mim para o meu umbigo "- Oh, lá estão eles a inventar! A Luísa ainda precisa de ajuda senão cai! Deixem a miúda em paz, quando ela quiser ela começa a andar!!!"

No mesmo dia, fui buscar a Luísa grande (sogrinha) que me fez a pergunta se a Luísa já andava, eu respondi exatamente aquilo que pensava. Ao chegar a casa, olho para a Luísa pequena e vejo-a de pé, sozinha a ir em direção a uma cadeira. reagi passado meio segundo, assim como o pateta quando apanha com um cofre na cabeça e necessita abaná-la para voltar à realidade. Esboçou-se um sorriso na minha face, pela primeira vez eu vi aquele passo tão tosco e tão leve que é capaz de se desconchavar com o vento, a rir com uma cara deliciosa, com os dois braços abertos que parecem levar o mundo entre eles, na direção do local que ela própria escolheu.  

Frente: Maria, Luísa, Margarida
Atrás (Wally): Maria, Vasco
Fotógrafa: Cristina


 

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