Todas as pessoas sabem que medo é uma coisa séria, que se deve ter respeito pelo medo, que se deve ter medo do medo.
Por isso eu brinco com o medo.
Estávamos a jantar em casa dos meus pais e começamos a falar dos nossos medos, principalmente dos que tínhamos quando éramos pequenos.
A minha mãe tinha medo de dois bustos humanos que antigamente tomavam o seu lugar no topo das escadas. Também não eram os simples bustos ora vamos lá ver, eram mais as suas sombras fantasmagóricas que povoavam as paredes e os recantos do seu corredor.
A minha esposa é uma mulher muito valente, mas quando era pequenina tinha medo das riscas por debaixo da água e há vários géneros de riscas. Há aquelas que estão nas piscinas, as longitudinais? As que estão a dividir os espaços para os nadadores não se percam. Imaginem os nadadores sem riscas... Ou riscos que separam as zonas em que as pessoas perdem o pé! Mas também não eram as simples riscas ora vejamos, eram o ziguezaguear das riscas e a distorção que estas apresentam.
O meu pai não. O Sr. meu pai é um Homem sem medos.
O meu medo é um candelabro que ainda hoje se encontra no topo das escadas da casa dos meus pais. Tem três lâmpadas, que representa os cornos do Belzebu, no topo de três tocos de ferro quando as lâmpadas se acendiam, era como se transformassem em fogo e começasse o bicho a mover-se. Ainda havia as duas partes côncavas em que se juntavam os cornos flamejantes parecendo por isso os olhos do dito cujo. Ainda temos a boca, é um ponto que prende o candelabro à parede. Um parafuso!!!
As minhas filhas têm todos os medos e mais alguns. Do escuro, dos monstros, dos bonecos, dos tsunamis, etc, etc, etc
O medo de que vou falar, desta vez, é o medo dos tubarões. No outro dia estamos todos a conversar e a Luísa introduz o tema dos tubarões. Disse-lhe que há muitos tubarões, desde o tubarão baleia até ao cação e que em muitas espécies não têm grande interesse em nós. Que nós comemos inclusive. Mas parece-me que ela manteve a ideia dos dentes do tubarão a abrir e a fechar.
Então o que é que eu faço...
Vasco "- Ó Luísa, mas tu vais dormir no Oceanário?"
Olhar de pânico. "- Eles têm lá tubarões?"
Olhar de gozo. "- Dos grandes!!"
Luísa "- Mas têm lá vidro grosso?"
Vasco "-Humm, não sei se é suficientemente grosso!!"
Luísa "- Oh, ó pai!!!"
Vasco "- Mas tu pensas que tu vais ficar cá fora?? Eles vão te arranjar um escafandro e vocês vão todos dormir para dentro do aquario!! Não foi aquilo que dizia!!"
Luísa "- Oh, ó pai!!!" disse a Luísa a rir-se.

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